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Literatura - Poesias
Escrito por: Celina
Celina

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Seg, 30 de Junho de 2008 03:57


Atolei-me em um lamaçal profundo
Onde não consigo mais ficar de pé.
Meu clamor parece não ser ouvido
meu coração está dentro de mim dorido.
O horror e o temor sobreveio a minha face.

Quem me dera ser como a águia....
assim voaria para o deserto e lá descansaria
por dias ou até mesmo séculos.
Fugiria das tempestades que me envolvem.

Pela manhã voaria sobre as águas silenciosas
e me banharia tentando apagar as cicatrizes
que injustamente em mim foram deixadas.

À noite me refugiaria num lugar seguro
Para fortalecer e renovar minhas asas.

E antes que o sol nascesse...
apressar-me-ia, à voar por entre as montanhas,
dissipando os desejos que me torturam,
rejeitando o tempo, na busca, na procura
de uma paz inútil, para o cadáver d'minha alma.



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Deserto
Seg, 30 de Junho de 2008

© 2010 - Autores.com.br


Última atualização em Seg, 24 de Novembro de 2008 09:44
 
Comentários (9)
  • Lucelio Garcia
    Que sonho bonito vc vivenciou neste poema. Adorei.
  • letivancarvalho
    avatar
    Olá.... Muito bonito....Parabéns.
  • Lubarrel
    avatar
    Nos momentos de depressào é quando escrevemos mais profundo...Já reparou nisso? Linda poesia! Obrigada pela visita e volte sempre. Lerei mais por aqui. Abraços!!!
  • CezarUbaldo
    avatar
    Celina,por quê é que o ser humano está sempre aproximando-se da linha tênue que separa a razão da insanidade?Por causa do amor fisico,é a resposta.Mas é esse amor fisico que nos dirige na vida material,desenvolvendo em nós as tensões,as frustrações com as quais o Hammelet,de Shakspeare vivenciou,por conta das traições no seio da familia.E o ser humano vive rodeado de traições e,por isso ,tenta voar,tenta ser cadáver de si mesmo e deixa de comtemplar o que há de mais belo dentro de si mesmo:o próprio amor revisitado. Beijos.
  • bert
    avatar
    Belas e melancolicas palavras Quando eu tinha 26 anos era esse meu céu escuro, hoje vejo que era bobagem... Boa Sorte
  • Silvio dos Anjos
    avatar
    Que céu profundo, que deserto árido, que lamaçal viscoso que não deixou a poetisa voar, mas lançou o eu lírico num vôo vibrante e lacônico ante a cavernosidade momentânea da alma. Parabéns, menina... o poema é lindo, porém não pode ser lido somente uma vez!!!
  • jgmoreira
    avatar
    Anjo à espreita olhos felinos vigia as águias dançando no abismo. Asa pesada vôo limitado por quem o fez alado vigia cansado. Revolução repentina o céu em alvoroço anjos,abandonando asas fazem-se meninas e moços. O anjo que vigiava o vôo solitário da águia Amando a liberdade que a ave leva nas asas decide-se pelo inimaginado: abre os braços, suspira deixa o corpo ser tragado pelo ar que o sustinha. Antes que acabe a aventura O Dono da Obra se compadece ampara-o na queda de tontura na mão que da dor convalesce Não cabendo em humano Deus na sua brandura liberta o anjo para ser águia nas alturas
  • jgmoreira
    avatar
    Celina, seu poema me inspirou a um outro poema. Os anjos, às vezes, ficam tristes pela limitado espaço. Quando chega certa hora, se tranformam em gente para habitar a terra. Alguns deles são mais livres que os outros (ou diferentes, como todos nós somos) e o criador, entendendo essa diferença, transforma em águia para que chegue aos lugares impossíveis para os humanos. Todos nós temos nossos dias de águia. Essa limitação causa uma tristeza...Mas passa. Bj do seu fã do Rio
  • Abreu
    avatar
    Dores e inquietações que nos permeiam, a nos deixar quase sem opção.
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