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Literatura - Poesias
Escrito por: veruska
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Sáb, 22 de Novembro de 2008 07:00
Ah! Caravanas que passais
De homens cansados,
Esfaimados,
Cantando vergados
Ao peso da saudade,
Bandeira branca a tremular ao vento...
Caravanas de homens de pés descalços
Sangrando por tortuosos caminhos...
Como eu vos amo a todos, todos!
Oh mulheres de ancar largas, bamboleantes,
Com filhos ranhosos e famintos
Que vindes em algazarra acenardes adeus,
E gritais, gritais, palavras, impropérios,
Cobrindo o choro dos que partem...
Oh mães velhinhas, doloridas,
Que chorais por não poderdes partir
A dizerdes adeus,
Um adeus distante
A quem não esperais tornar a ver...
Ah! As caravanas, as caravanas!
Caravanas de homens esperançosos
De corpos quebrados
Que vêm de longe e se perdem à distância...
E só o mundo irado,
A fome, o cansaço.
E lá longe, a casa, as terras, as noites luarentas,
O brilho ardente das fogueiras...
E vão nas caravanas, coração pulsando,
E a esperança, sempre a esperança,
Num somho de riqueza.
E voltam de novo, famintos,
Das terras do fim do mundo.
Voltam à terra onde andaram em pequeninos,
Com o choro dos filhos nus
Esfaimados, a pedir pão.
Deixem, homens, deixem que o tempo
Marque o trilho das caravanas em que ides partir.
Dia a dia, hora a hora,
Ele se rasgará mais brilhante,
Sem que o bafo dum vento quente
Murche as flores da tua esperança.
Partireis, triunfantes,
À demanda, à conquista,
Des terras dum novo mundo.


P.S. Convém explicar que os contratados, eram, nas ex-colónias, os africanos apanhados em rusgas, que eram forçados a partir para trabalharem nas fazendas, por tempo indeterminado e que muitas vezes acabavam por nunca voltar aos sítios de origem.



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Sáb, 22 de Novembro de 2008

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Última atualização em Sáb, 22 de Novembro de 2008 14:53
 
Comentários (3)
  • Lusinaldo
    Linda poesia
  • rackel
    avatar
    Levas humanas que se perdem nas dobras do tempo, sem que suas dores sejam percebidas ou suas angústias sentidas pela maioria de nós. Excelente reflexão, Veruska. Pungente.
  • Nadi
    avatar
    Imaagino esta cena. Me contraiu o peito. Escreves tão claro que quase é possível, ouvir e sentir. Pobre gente, que aqui estão para amar seus deuses em paz, e são abortados de suas divindades. Bjs e estrerlas
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