Que explodem sem dó na minha cara
E a vida escarra desgraça, vida sem graça
Só vejo luz entre à balaustrada
A vida está negra e não há luz na poesia
Estou sem cama e sem companhia
E no último poema que escrevo
Sem rima, sem métrica e com erro
Sem amiga e sem o toque da mão
O toque que mostrava o norte
E acolhia a dor da ânsia louca
E assim fecho a minha boca
E os dedos não bolinam o teclado
Eu e meu eu, meu torpedo apontado
Na busca do eu, mais desapontado
Com medo da vida, com medo da estrada
Vou ser balaústre da balaustrada.
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