Dos pés no barro de botinas
Lavar o pecado de uma só mão
Alguidar de água lambendo o chão
Espirra veneno que cega as retinas
Atravessa a vida travessa orgia
Se come de noite e reclama de dia
Cantar milongas com as sinas
Recitar o padre nosso em vão
Alguidar de água limpa e sabão
Casar esperanças das concubinas
Com os sonhos gentis da putaria
Chorar essa fome anoréxica tardia
Com rezas e anfetaminas
Alguidar de água benze o pagão
E enxágua os buracos do sacristão
Salta o terreno por sobre as minas
Saber o que a vida valia
Se mata a angústia na vida vadia
Na cruz que junta as esquinas.
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