Já faz um pouco mais de duas décadas que estou convivendo numa cidade pequena, de interior, cravada no coração do estado mais desenvolvido, economicamente, do país.
Não gostaria de me assustar com algumas coisas que vejo por aqui, mas não consigo disfarçar.
Na política, nem se fala... Em outra ocasião, poderemos debater esse assunto.
No tocante à religião, embora minha formação seja cristã, católica, fiquei por mais de dez anos afastado do convívio eclesial. Em meados da década de 90, recomecei minha atuação como militante (mesmo!) católico, embora determinado a não entrar em contendas com membros da hierarquia, considerando que, para uma parte deles, hoje numericamente pequena, sempre tive certa dificuldade de me fazer entender plenamente. Fiquei por vários anos, totalmente resignado e “dócil”, participando como membro de apenas um movimento da igreja católica local.
Com o passar dos anos, assumi muitas outras responsabilidades nessa instituição.
A partir daí, é óbvio que a gente se torna mais visado e espionado em várias situações. Claro também que não deveria ser assim, mas é. Digo já o porquê.
Veja este episódio, por exemplo: Há alguns meses atrás, estava na secretaria da igreja, tratando com uma liderança religiosa de um assunto do movimento do qual, fazia já um ano e meio, havia me tornado coordenador. Tratamos de várias coisas e, ao final da conversa, fui questionado: “meu amigo, me responda uma coisa: estão me dizendo que você é membro de uma instituição 'n'; a afirmação procede?”
Como eu não previa a pergunta, bambeei as pernas e, precipitadamente, acho, acabei por responder-lhe: “amigo, embora não participe ativamente, meu nome ainda consta como se fosse...”.
Isso aconteceu num meio de semana e eu disse a ele: “até segunda feira, a gente fala mais sobre esse assunto”. Eu precisava desse tempo para pensar sobre a pergunta que ele me havia feito. Nesse intervalo, conversei com várias pessoas da igreja e até com algumas de fora dela sobre o assunto.
Ouvi as mais diversas e distintas opiniões.
Sentindo-me espionado e nu, minha vontade naquele momento era, realmente, afastar-me de tudo e de todos na igreja e, embora estivesse convicto de que deveria manter minha prática cristã, não tinha o menor “tesão” em responder à pergunta a mim dirigida, entendendo que ninguém (nem essa pessoa!) teria o direito de seguir meus passos para ver onde eu, líder comunitário e político desde muito tempo e já no auge dos meus quarenta e poucos anos de idade, entrava ou de onde saía.
No entanto, aconselhado, sobretudo, por lideranças da igreja local, resolvi responder à pergunta feita a mim, havia alguns dias, repetindo o que já havia dito ao meu inquisitor. Sua reação, de imediato, me assustou; ele nem quis ouvir minhas justificativas, meus cálculos sobre meu percentual de opção pela igreja, etc.
Quando me dei por mim, estava fora de todas as responsabilidades que, até então, me cabiam dentro daquela instituição. Embora eu tivesse muitas ocupações e encargos dentro da igreja, jamais pensei em abandonar tudo, como fui levado a fazer.
Resumindo a história, hoje apenas participo como membro do movimento do qual era coordenador, liderando a equipe de música desse movimento. Não por minha livre vontade, obviamente, não sou mais coordenador desse movimento, não animo a música nas liturgias, não apareço em atos públicos religiosos, não faço palestras nem nas dependências do movimento, do qual sou membro há mais de dez anos e assim por diante...
Muito recentemente, estive na assembléia paroquial, que contou com a participação de pouquíssimas lideranças e onde foram reorganizadas as comissões de trabalho da igreja local. Duas dessas comissões chegaram a ficar sem nenhum membro participante. Um tanto envergonhado com o vexame, em nome dos faltosos, cheguei a colocar-me à disposição para compor as duas comissões. No entanto, percebi o desconforto das lideranças religiosas locais, quando me dispus a colaborar, e tenho dúvidas se servirei, na sua concepção, para assumir o lugar dos ausentes.
Moral da história: Embora estejamos tomando como exemplo uma entidade historicamente rotulada como, na média, conservadora, percebo que em todas as demais entidades as pessoas sofrem do mesmo mal. Ou seja, quando você tem um membro (ou vários) que só sabe dizer e praticar o óbvio, esse membro é considerado excelente, dedicado, etc. Quando aparece o diferente, embora dedicado e responsável até em escala maior, na maioria das vezes, do que o considerado “bonzinho”, conservador e dócil, as coisas mudam de rumo e essa pessoa é, imediatamente, colocada “na geladeira”. Quem perde com isso? O projeto todo da instituição, seja ela qual for, porque não abre mão de continuar aceitando apenas as pessoas que concordam com o óbvio.
E, desculpem minha sinceridade, de obviedades e conservadorismo nossas instiuições já estão repletas, nas nossas cidades, no país e no planeta todo.
Não gostaria de me assustar com algumas coisas que vejo por aqui, mas não consigo disfarçar.
Na política, nem se fala... Em outra ocasião, poderemos debater esse assunto.
No tocante à religião, embora minha formação seja cristã, católica, fiquei por mais de dez anos afastado do convívio eclesial. Em meados da década de 90, recomecei minha atuação como militante (mesmo!) católico, embora determinado a não entrar em contendas com membros da hierarquia, considerando que, para uma parte deles, hoje numericamente pequena, sempre tive certa dificuldade de me fazer entender plenamente. Fiquei por vários anos, totalmente resignado e “dócil”, participando como membro de apenas um movimento da igreja católica local.
Com o passar dos anos, assumi muitas outras responsabilidades nessa instituição.
A partir daí, é óbvio que a gente se torna mais visado e espionado em várias situações. Claro também que não deveria ser assim, mas é. Digo já o porquê.
Veja este episódio, por exemplo: Há alguns meses atrás, estava na secretaria da igreja, tratando com uma liderança religiosa de um assunto do movimento do qual, fazia já um ano e meio, havia me tornado coordenador. Tratamos de várias coisas e, ao final da conversa, fui questionado: “meu amigo, me responda uma coisa: estão me dizendo que você é membro de uma instituição 'n'; a afirmação procede?”
Como eu não previa a pergunta, bambeei as pernas e, precipitadamente, acho, acabei por responder-lhe: “amigo, embora não participe ativamente, meu nome ainda consta como se fosse...”.
Isso aconteceu num meio de semana e eu disse a ele: “até segunda feira, a gente fala mais sobre esse assunto”. Eu precisava desse tempo para pensar sobre a pergunta que ele me havia feito. Nesse intervalo, conversei com várias pessoas da igreja e até com algumas de fora dela sobre o assunto.
Ouvi as mais diversas e distintas opiniões.
Sentindo-me espionado e nu, minha vontade naquele momento era, realmente, afastar-me de tudo e de todos na igreja e, embora estivesse convicto de que deveria manter minha prática cristã, não tinha o menor “tesão” em responder à pergunta a mim dirigida, entendendo que ninguém (nem essa pessoa!) teria o direito de seguir meus passos para ver onde eu, líder comunitário e político desde muito tempo e já no auge dos meus quarenta e poucos anos de idade, entrava ou de onde saía.
No entanto, aconselhado, sobretudo, por lideranças da igreja local, resolvi responder à pergunta feita a mim, havia alguns dias, repetindo o que já havia dito ao meu inquisitor. Sua reação, de imediato, me assustou; ele nem quis ouvir minhas justificativas, meus cálculos sobre meu percentual de opção pela igreja, etc.
Quando me dei por mim, estava fora de todas as responsabilidades que, até então, me cabiam dentro daquela instituição. Embora eu tivesse muitas ocupações e encargos dentro da igreja, jamais pensei em abandonar tudo, como fui levado a fazer.
Resumindo a história, hoje apenas participo como membro do movimento do qual era coordenador, liderando a equipe de música desse movimento. Não por minha livre vontade, obviamente, não sou mais coordenador desse movimento, não animo a música nas liturgias, não apareço em atos públicos religiosos, não faço palestras nem nas dependências do movimento, do qual sou membro há mais de dez anos e assim por diante...
Muito recentemente, estive na assembléia paroquial, que contou com a participação de pouquíssimas lideranças e onde foram reorganizadas as comissões de trabalho da igreja local. Duas dessas comissões chegaram a ficar sem nenhum membro participante. Um tanto envergonhado com o vexame, em nome dos faltosos, cheguei a colocar-me à disposição para compor as duas comissões. No entanto, percebi o desconforto das lideranças religiosas locais, quando me dispus a colaborar, e tenho dúvidas se servirei, na sua concepção, para assumir o lugar dos ausentes.
Moral da história: Embora estejamos tomando como exemplo uma entidade historicamente rotulada como, na média, conservadora, percebo que em todas as demais entidades as pessoas sofrem do mesmo mal. Ou seja, quando você tem um membro (ou vários) que só sabe dizer e praticar o óbvio, esse membro é considerado excelente, dedicado, etc. Quando aparece o diferente, embora dedicado e responsável até em escala maior, na maioria das vezes, do que o considerado “bonzinho”, conservador e dócil, as coisas mudam de rumo e essa pessoa é, imediatamente, colocada “na geladeira”. Quem perde com isso? O projeto todo da instituição, seja ela qual for, porque não abre mão de continuar aceitando apenas as pessoas que concordam com o óbvio.
E, desculpem minha sinceridade, de obviedades e conservadorismo nossas instiuições já estão repletas, nas nossas cidades, no país e no planeta todo.
Crie um banner deste artigo em outros sites
Para criar um banner deste artigo em outro site,
copie e cole o texto abaixo em sua página.
Visualizar :
Parece que ainda é difícil conviver com o diferente!
Ter, 18 de Agosto de 2009
Ter, 18 de Agosto de 2009
© 2010 - Autores.com.br



